2.5.12

Grandes Esperanças


[livro de cabeceira #1]


No momento, Great Expectations (Grandes Esperanças), de Charles Dickens, é o meu livro de cabeceira. 


A história se passa na Inglaterra, entre os anos de 1812 e 1840. Enquanto lamúrias tomavam a vida do órfão Philip Pirip, Pip, as grandes esperanças se apresentaram de maneira tempestuosa. Um preso havia fugido do cárcere flutuante, navio-prisão, e exigia, de maneira sórdida, que Pip o ajudasse com descrição.Cedendo, principalmente, mas não só, ao medo, Pip decide ajudar o detento. Lima de ferro e bolo de carne saciam o fugitivo, prestes a ser recapturado. 

Eis que nascem as grandes esperanças de Pip, mesmo que nem Pirip desconfie. A lima de ferro que libertou um irá "aprisionar" para sempre o outro. . .



O livro é muitíssimo interessante e merece ser lido por todos que amam literatura. Apesar das diversas adaptações para o cinema e tv, totalizam 20, é o tipo do livro que sempre terá adaptações injustas. A escrita detalhada revela um pouco do cenário inglês da época, expansão das colônias inglesas na Nova Zelândia e sistema prisional em "evolução".


Os personagens são incríveis, evocam sentimentos inesperados do leitor. 
A presença de um amor pungente e inalcançável, idealizado ainda na infância, por exemplo, mostra como um cavalheiro ainda contempla sua "Beatriz" com olhos juvenis. O início do livro é bastante curioso e muito distinto, foi a parte que mais me agradou, são muitas imagens escritas.
A linguagem pode parecer um pouco densa, mas é um membro essencial que compõe a obra. Eu consigo imaginar um Pip envolto em hábitos tão ingleses e regrados, pandangas!  

Em 2012, bicentenário de Dickens, mais uma adaptação do livro estará nas telas do cinema. Até Helena Bonham Carter irá representar uma importante personagem, boa escolha! Roteiro de Rowan Joffe e direção de Mike Newell, que dirigiu alguns filmes da saga Harry Potter.

26.4.12

"Sempre serei criança para muitas coisas, mas dessas crianças que trazem em si o adulto desde o princípio, de maneira que quando o monstrinho vira realmente adulto acontece que este por sua vez traz em si a criança, e nel mezzo del camin se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de ao menos duas aberturas para o mundo."


Julio Cortázar

15.3.12

14 de março - dia da poesia


Brincadeirinha em homenagem ao dia da poesia...

Neruda: “Não sentes também o perigo na gargalhada do mar alto?”

Shakespeare: “Starveling — Eu também já pen¬sei nisso.
Bottom — Não! Acrescenta mais duas sílabas e escreve-o em versos.”

Barros: “Desinventar objetos.
O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.”

Shakespeare: “Hipólita — Mas se os coitados nada entendem da arte!”

Woolf: “Eu lhe mandarei poemas, talvez ele responda com um cartão-postal”.

Moraes: “Amai, por que nada melhor para a saúde que um amor correspondido”.

Woolf: “Tão logo essa palavra ''amor'' lhe ocorreu, ela a rejeitou.”

Buarque: “Não, acho que estás só fazendo de conta. Te dei meus olhos pra tomares conta.”

Shakespeare: “Helena — Qualquer fera selvagem tem mais brando coração do que vós. Fugi, embora, que a história mudareis.”

Cortázar: "Ser valente é muito mais fácil do que ser homem.”

Leminski: “nunca sei ao certo
se sou um menino de dúvidas
ou um homem de fé
certezas o vento leva
só dúvidas ficam de pé”

Quintana: “Nós vivemos a temer o futuro; mas é o passado quem nos atropela e mata.”

Neruda: "Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos.”

Woolf: “Mrs. Dalloway, Mrs. Dalloway, sempre dando festas para encobrir o silêncio!”

4.12.11

Nem diamante, nem ouro.
Confiança tem o peso mais caro.
Perdendo é que se sente.

31.10.11

Ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa

Paulo Leminski

28.10.11


Peguei o telefone e não liguei. Quando é exatamente que o amor acaba, perguntei-me. Quando é exatamente que o amor fica, não soube.
Naquele dia na praia era verdade. Talvez eu achasse que fosse possível passar o resto da vida com alguém. Acompanhar a queda dos seus cabelos. A pele tomar conta dos meus olhos. Rir da moda que não acompanhamos e da incompreensão da geração do momento.
É visceral quando um órgão se acha tão autônomo ao ponto de tomar decisões sem pensar no corpo que habita. Ele habita minhas pernas brancas do verão, os doces fios de cabelo escondidos embaixo do pescoço, a forma como o corpo desajeita a dança...




2.9.11

Ele é minha paz alucinada
É meu braço pós almoço no mesmo prato
É minha cantiga desajeitada sem postura no sofá
É o rock antigo que toca no meu carro com dedos maliciosos
É a gíria tragicômica nas ruas da cidade
É meu pensamento distante nas aulas de latim
É a mão que segura forte meus dedos quando a orquestra emociona
É o queijo que vem no meio e que sempre é meu
É o olhar sorrindo vindo em minha direção nas grades do portão
É o andar desajeitado de ser, a mão coça o cabelo de leve
É o umbigo com graça maléfica entre meus dedos
É o grito estridente no meio da noite entre cabana de lençóis
É a palavra esquecida entre os goles de cerveja
É o sorriso torto entre os lábios bicolores
É o gozo desesperado e tão amado
É a respiração cansada em meu seio
É o riso no fim da madrugada dizendo entre os goles de sono para eu dormir só uma noite
É a voz abafada que embaralha palavras de amor com boa noite
É minha forma mais brega de ser


para André

11.8.11

"Havia um tempo em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu

Agora eu vejo,
Aquele beijo era mesmo o fim
Era o começo
E o meu desejo se perdeu de mim

E agora eu ando correndo tanto
Procurando aquele novo lugar"

R.R